para a verdadeira poesia
não interessa o belo o sábio e o forte
para verdadeira poesia
interessante é a bosta
os beijos roubados com olhares tímidos
não valem absolutamente nada
doces lábios e doces palavras
não tem valor algum para a verdadeira poesia
o que tem valor real para um poeta maldito como eu
são os risos banguelas e com mau hálito
risos gratuitos de maltrapilhos pedindo esmola
que exibem suas chagas como troféus
isso sim vale para o verddadeiro poeta
o perfume da musa
é o suor dessa gente esquecida
a inenarrável beleza do crepúsculo
é a mesma falta de assunto de um fim de tarde qualquer
cortador de cana e bebedor de cachaça
meus suspiros não são de orgasmos inatingíveis
são de cansaço e de dor
meu carinho é quente e rústico como os dos cavalos na cocheira
para mim o verdadeiro poeta é aquele que sofre
que expõe sua ferida ao sopro leve do vento
que dorme apenas para se livrar do sofrimento diário
e que nem em sonho encontra sossego
esse sou eu
interesse a quem interessar
27.7.10
11.7.10
....
...a felicidade vem quando estou dormindo
ninguém interrompe esse doce momento,
essa espécie de transfusão
do desejo para a carne,
o gesto e a palavra palavra juntos,
sem qualquer intermediário
meu rito, minha forma de ser
celebro o que é efêmero e imortal
incontrolável instante
a palavra em sonho é minha verdade absoluta,
minha ferida exposta
sem sopro
sem forma
sem tradução
ninguém interrompe esse doce momento,
essa espécie de transfusão
do desejo para a carne,
o gesto e a palavra palavra juntos,
sem qualquer intermediário
meu rito, minha forma de ser
celebro o que é efêmero e imortal
incontrolável instante
a palavra em sonho é minha verdade absoluta,
minha ferida exposta
sem sopro
sem forma
sem tradução
4.7.10
...
Sou lama sou caos
lamento de Josué na poesia de Leminski
sou o desterro
o erro em carne viva
leite de caranguejo na barriga vazia
tremor de fome
soluço no choro
o silêncio da fala
sou suor de Joaquin Nabuco
negro índio polaco santo
sou o sal nas fotografias de Verger
criança de domingo
poeta de buteco
escritor de guardanapo
a beleza que o olho rejeita
corte no pescoço de lampião
mordida de cobra
sou frase esquecida
pintada em parachoque de caminhão
alma errante febril doente
paulada em cachorro louco
chute no cu de mendigo
sou porra nenhuma
memória esquecida
e vontade de ser
a história que está por vir
lamento de Josué na poesia de Leminski
sou o desterro
o erro em carne viva
leite de caranguejo na barriga vazia
tremor de fome
soluço no choro
o silêncio da fala
sou suor de Joaquin Nabuco
negro índio polaco santo
sou o sal nas fotografias de Verger
criança de domingo
poeta de buteco
escritor de guardanapo
a beleza que o olho rejeita
corte no pescoço de lampião
mordida de cobra
sou frase esquecida
pintada em parachoque de caminhão
alma errante febril doente
paulada em cachorro louco
chute no cu de mendigo
sou porra nenhuma
memória esquecida
e vontade de ser
a história que está por vir
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