26.6.09
Carnaval em Curitiba (da coletânea Feriados em dias Inúteis)
Passei pelo carnaval como se ele não existisse. Nunca me interessei. Costumo brincar que não gosto de ver as pessoas felizes. É claro que só tô tirando uma. Acho bacana quando as pessoas estão realmente felizes. Mas não é o caso do Carnaval, e tá todo mundo ligado no que tô falando, não preciso explicar. Não gosto de samba enredo, não gosto de carnaval, sou mesmo um chato, mas gosto da cidade parcialmente vazia, mesmo que isso nos custe o fechamento de alguns bares queridos que nos deixam orfãos por essas noites. Até os Bares do Largo fecharam . Coloquei algumas músicas novas no meu MP5 e fui de ônibus até o Holmes . O bacana de lá quando o bar não tá muito cheio é que tem espaço no balcão. Então eu encosto lá e fico bebendo tranquilo e sozinho. Alguns amigos chegam e fico conversando com eles. Fiquei um bom tempo sozinho e os amigos desgarrados foram chegando. Tava todo mundo com um ar meio melancólico como se a gente soubesse da estranha felicidade que as pessoas estavam sentindo em outros lugares não muito longe dali. Aí entrou no bar um cachorro perdido. Era um pastor alemão muito bonito e ele parecia perdido. Mas devia morar ali perto. Deve ter fugido do barulho de algum tamborim e foi se refugiar no bar que estava tocando Bob Dylan. Um cara aparentemente apaixonado por cachorros ficou muito preocupado. Mas com certeza ele devia saber o caminho de volta pra casa. Só não tava interessado no momento. Afinal todos sabem que a audição dos cachorros é muito mais apurada que a nossa. Se o cachorro tem bom gosto musical, então fudeu. Quando o Holmes fechou, fizemos a tour dos bares que ainda estavam abertos. Agora tava a fim de beber e conversar com estranhos. Nunca me perturbo com isso. Nem tô bebendo muito. Aliás ando bebendo muito pouco, por conta da recuperação do meu estômago. Ontem foram só duas caixinhas. Mas não consigo fugir da noite. Posso ficar no bar a noite toda bebendo suco de limão. Mas a noite é fundamental pra mim. Só isso. Já na madrugada de quarta-feira de cinzas. Na noite melancólica de Curitiba ,apenas amigos conversando. Caras que não conseguem simplesmente voltar pra casa e ficar sossegados, mas ao mesmo tempo também não conseguem disfarçar a felicidade pulando num baile de carnaval. Isso não nos torna melhores nem piores do que ninguém. Mas apenas nos torna cúmplices de algo que nem conseguimos definir. Como no belo poema que o Mauricio Arruda Mendonça escreveu para Augusto Silva ..." Quem vai notar / nossa passagem por aqui? / Quem vai falar de nós se não estamos nem aí?
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